segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Como se muda o mundo?!?!?

As coisas acontecem assim:

Um grupo de pessoas que em sua maioria não tem nada haver uma com as outras se reúne por um objetivo único e comum...



Essas pessoas trocam idéias e mensagens e do nada as coisas começam a florecer.

As outras pessoas que não tem nada haver com isso e que não entendem direito o que esta acontecendo começam a criar questionamentos que em geral nada mais são do que uma cobrança sobre as responsabilidades.

Agora eu me pergunto...que raios de responsabilidade é essa que tantos cobram????

Alguns argumentam que se não há lideres então não pode ser sério, outros acusam que tudo não se passa de um grupo de comunistas desordeiros querendo apenas aparecer a custas de outros.

Mas o que realmente ninguém pergunta é por que todos estão lá!?!?!


Alguns estão pelo passeio, outros pelos direitos e outros ainda por que não tem opinião formada sobre o mundo que querem viver e experimentam tudo até realmente se encontrarem.

Eu estava lá e você?!?!?! Eu sei por que eu estava lá e o motivo é simples por que eu queria ir pra praia!!!

Sim pode parecer idiota mas esse era meu único objetivo...


Podia ir de carro? Sim podia eu tenho carro, tenho dinheiro pra gasolina e para o pedágio abusivo que é cobrado, mas não queria ir de carro.

Podia ir de ônibus? Sim eu também podia iria sair mais barato inclusive do que ir de carro, mas eu também não queria.

Eu queria ir de bicicleta, queria simplesmente unir varios pontos que muito me agradam em um unico prazer.

Minha bicicleta + meu namorado + um monte de amigos + sol + praia + banho de mar + cervejinha gelada

E qual é o problema da magrela? Por que ela é tão rejeitada e reprimida assim??? 

Não pude ir a praia com a minha bicicleta, mas também não poderia ir se quisesse ir de skate, patins, patinetes ou até mesmo a pé, eu acho isso o fim da picada, mas tem muita gente que acha que eu querer de bicicleta sim é o fim da picada, será?! 

Vamos avaliar alguns pontos.

Se eu for de carro eu pago o pedágio, pago a gasolina, pago o IPVA e em alguns casos o seguro também.

Se eu for de busão eu pago a passagem que já está incluso o preço do pedágio, a gasolina (ou diesel), o IPVA e o seguro. 

Se eu for a pé, de bike ou dos outros meios proibidos, não pago pedágio, não pago gasolina, não pago IPVA mas dependendo da bike posso até pagar o seguro.

Assim lhe pergunto: Qual será o motivo real para não puder ir de bicicleta da para a praia?!?!?

Alguns policiais alegavam segurança, mas desrespeitava a lei que nesse ponto é bem clara, o transito de qualquer meio de transporte é permitido em qualquer via rural ou urbana e no caso de não existir os responsáveis devem privar por nossa segurança.

Acho de fato que o que mais surpreendeu não foi tanto o n° de ciclistas (quase 300) e sim como esses ciclistas agiam... em paz!

A paz reinou nesse encontro coletivo, a quem chamava tudo aquilo de passeio ou evento, mas de evento não tinha nada, não tínhamos patrocinadores, não tínhamos lideranças (como nunca temos) a única coisa que nos unia ali era a vontade imensa de pedalar para praia.

Nosso passeio começo na Praça do Ciclista de lá até o acesso da Imigrantes a PM e um carro da CET nos escoltou tudo bem, tudo maravilhoso, até que a Polícia Rodoviária nos barrou...na verdade a polícia nos barrou 5 vezes.

A primeira vez foi lá no acesso a Imigrantes lá perto do Jabaquara, e me desculpem os tantos que condenaram eu particularmente achei lindo!!!! Lindo na verdade é pouco!!! Foi maravilhoso.


Quando a Polícia nos abordou e disse que pedalando não poderíamos continuar, todos em ato único e coletivo desceram de suas bicicletas e nos tornamos pedestres. Furamos o bloqueio? Eu não usaria esse termo...na verdade nos tornamos pedestres.








E como pedestres poderíamos ir a qualquer lugar!!! 

Essa inclusive é uma grande vantagem das magrelas, quando não se pode pedalar pode-se andar e andando se chega a todos os lugares.


Ânimos acalmados e direito novamente adquirido subimos mais uma vez em nossas magrelas e retornamos a pedalada.





Até que...

No primeiro pedágio da rodovia eles estavam nos esperando, naquele pedágio que sai para SBC se não me engano.












Depois de muito lero-lero e os ciclistas inclusive eu resolveram prosseguir a viagem.

As desculpas para não nos deixar prosseguir eram as mais diversas e mirabolantes possíveis.

Em certo momento quanto eu estava conversando com um dos policias e tentando mostrar que nós conhecíamos muito bem nossos direitos um deles me respondeu: 

Sabe por que vocês não vão descer? Por que eu não quero!”


Ótimo motivo inclusive... principalmente quando quem diz isso a você esta com uma bela 12 pendurada na cintura.



Lá no km 28 fomos abordados novamente, desta vez recepção de luxo.

Policiais armados, alguns empunhando suas armas, bombas de spray pimenta bem visíveis, cassetetes a mão alguns inclusive portavam os escudos, a quem afirme ter visto alguns policiais da força tática sem suas identificações.

Parecia até que a qualquer momento iríamos jogar as bicicletas neles.

Que pena eles não estavam entendendo nada mesmo.

Mesmo assim muitos conseguiram passar, como pedestres novamente, senão pode pedalar a gente anda!

Nessa barreira cerca de 150 pessoas ficaram retidas, leia-se retidas e não detidas, por que as más línguas insistem em afirmar que alguns foram detidos e isso não aconteceu, nem uma bike sequer foi apreendida, muito menos alguém.

Outros 100 (+/-) prosseguiram, eu inclusive, mas gostaria de lembrar que até aí nenhum policial me pediu para parar, alguns me pediram para parar de pedalar e eu obedeci me tornando pedestre.

Desses 9 foram abordados no pedágio enquanto conversavam com alguns agentes da ARTESP.

Por fim o último grupo foi novamente abordado no km 38 e depois fomos conduzidos até o km 40 para dialogar e tentar chegar a alguma conclusão.

As reações de todos (policiais e ciclistas) eram as mais diversas tínhamos policiais truculentos e ciclistas truculentos, policiais simpatizantes e ciclistas idem...

Depois de muita espera muitos se cansaram de esperar e desistiram tiveram os que foram embora pedalando e alguns que se submeteram aos ônibus enviados pela ECOVIA que cá entre nós de ECO não tem nada.





Depois de pouco mais de 2 horas todos os grupos se uniram novamente no km 40 como o Tenente Coronel havia nos conduzido até lá ficou mais fácil dos outros se reencontrarem conosco.

Eu fiquei lá até as 17.30 hs, ouvi quando foi anunciado pela assessora do secretário de Transporte que poderíamos prosseguir na estrada, mas depois de tanta espera para o policial rodoviário assumir que havia recebido a ordem mais não iria obedecê-la eu e mais alguns resolvemos voltar.

Quatro chegaram a Santos, depois mais três no dia seguinte.

No domingo a imigrantes estava vazia, e muitos outros clandestinamente fizeram tal percurso.

Se valeu a pena?!?!? Lógico que valeu! De certo modo fomos vistos e ouvidos.

É bom lembrar que se você esta em São Paulo e pretende ir à praia no final de semana e seu meio de transporte não for moto, carro, ônibus (incluindo micro) e caminhões corre o risco de ser preso afinal pela Anchieta não pode, pela Imigrantes não pode, pela manutenção não pode e a estrada velha só recebe visita de pedestres e essas visitas devem ser agendadas e guiadas e não se pode apenas descer, tem que ir e voltar no mesmo passeio.

Se ainda pudéssemos nadar no Tietê ou no Pinheiros aposto que a chiadeira seria bem menor...mas não é esse o caso.

Mais fotos, videos e relatos:


 O Globo

9 comentários:

polly disse...

lindo relato, Aninha!!!

beijo!

Patty - DC disse...

Sonho num mundo sem barreiras, fronteiras e passaportes, onde o direito de ir e vir realmente exista. Lindas fotos !!! Lindo passeio !!!

Anônimo disse...

Parabéns, assim podemos mudar o mundo !

Willian Cruz disse...

Parabéns pelo texto, ficou ótimo, ainda mais com as fotos ilustrando o que estava sendo contado.

Não foi dessa vez, mas ainda chegaremos à praia.

Fourier disse...

Belo relato.

Essas barreiras só me motivam!!

Barricadas serão derrubadas sempre!

Aleluia, duas fotos minhas! Milagre?

Cleves disse...

POIS É ANINHA, É INCRÍVEL COMO AS PESSOAS "MOTORIZADAS" VÃO À PRAIA NOS FINS DE SEMANA E, PARA COMPRAR PÃO NA PADARIA A ALGUNS METROS DE DISTÂNCIA PEGAM O CARRO...
COM PERSISTÊNCIA, OBJETIVIDADE E SERIEDADE, TODOS PODEMOS MUDAR ESSA CULTURA. AFINAL, TEMOS O DIREITO CONSTITUCIONAL DE IR E VIR.
FOI ÓTIMA A PRESENÇA DA MÍDIA NO EVENTO PARA IMPEDIR OS EXCESSOS DE POLICIAIS MAL INFORMADOS E ATÉ TRUCULENTOS (EMBORA A VIAGEM TENHA SIDO FRUSTRADA) .
EXISTEM LEIS QUE PERMITEM O TRANSITO DE CICLISTAS EM RODOVIAS, PORTANTO, DEVERÍAMOS CONSULTAR QUEM VERIFICA E APLICA ESSAS LEIS (OS POLICIAIS A SEGUEM APENAS) PARA QUE NÃO SEJAMOS IMPEDIDOS DE FAZER ALGO QUE SEJA NOSSO DIREITO. ASSIM, TODOS TERÃO MAIS CONFIANÇA DE FAZER UMA VIAGEM À PRAIA SEM SEREM IMPORTUNADOS POR CONCE$$IONÁRIA$, BUROCRATAS E ALGUNS POLICIAIS EQUIVOCADOS.

PARABÉNS PELO SEU BLOG!

Vinicião (BIG DOG) disse...

Trabalhava de carro, perdi o carro e ganhei uma paixão .... a bicicleta.

Curioso que sou busquei outros apaixonados e encontrei a bicicletada. Por n motivos ainda não consegui ir em nenhuma, mas Aninha, a cada texto lido, minha vontade aumenta.

Confesso, apesar dos meus quase dois metros, o relato da viagem à Ubatuba me fez chorar de emoção.

Não vejo a hora da minha primeira bicicletada....

Jorge Nogueira disse...

Gostei de ver fizeram barulho e chamaram a atenção, mas essas rodovias privatizadas são assim mesmo, aqui em Resende Rj ,chegaram ao cúmulo(com a complacência do governo federal) de cobrar para irmos de um ponto ao outro do nosso própio município,felizmente a justiça acabou com esse absurdo. Entrem na justiça pois estão barrando o direito de ir e vir dos ciclistas(se der mole daqui a pouco inventam o pedágio para bikes). Gostei demais do seu blog. Jorge Luis Nogueira, canelasdeaco.blogspot.com

Anônimo disse...

ISSO PROVA MAIS UMA VEZ QUE A UNIÃO FAZ A FORÇA. E A POLÍCIA USA A FORÇA INFELIZMENTE. ESTOU LOUCO PARA PARTICIPAR DA BICICLETADA, E SÃO ESSAS COISAS QUE ACONTECEM,QUE ME MOTIVAM AINDA MAIS. ADOREI ESTA VIAGEM DE VOCES. SERÁ QUE TEREMOS QUE RECORRER NA JUSTIÇA, PARA QUE LEMBRREM DAS LEIS TRANSPORTES MANUAIS, OU TEREMOS QUE VIAJAR COM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL E UMA PLAQUINHA PENDURADA NA BIKE: "TRÁFEGO PERMITIDO NAS RODOVIAS"?