segunda-feira, 27 de abril de 2009

Caraguá x Ubatuba: depois da Estrada da Petrobras

Cá entre nós os 45kms que ligam Caraguá a Ubatuba não são nada, mas depois de encarar a Estrada da Petrobras no dia anterior não vou negar que pensei 2 vezes antes de subir na bike.

Nosso dia começou assim, acordamos as 7hs, sem despertador nem nada, o que nos acordou mesmo foi o sol que entrava no quarto que só tinha janelas de vidro e cortinas bem fininhas.

Descemos +/- umas 8hs para tomar café, tomamos café e voltamos ao quarto para arrumar os alforges, nessa de arrrumar os alforges deitamos no colchão (que estava no chão pois no quarto só tinham beliches) e dormimos de novo, hehehe, dessa vez até as 11hs.

Ás 12:30hs saímos do hotel, ainda estavamos em dúvida de como iriamos para Ubatuba, na verdade acho que só não imitamos nossos amigos de estrada, Aragonez e Gatti que foram de "busão" na noite anterior por que o "tiozinho" da rodoviária começou a brigar comigo e eu perdi a paciência.

E adivinhem por que o tiozinho veio implicar comigo? Por causa da bike lógico!!! Que país mais "curto" esse...já me sinto praticamente uma ET fazendo praticamente tudo de bike e muitas vezes uma idiota por brigar pelo direito de usar a bicicleta.

É isso mesmo, na rodoviária de Caraguá não pode entrar com bicicleta...como?!?! E se eu for levar a bicicleta no busão? Só pode entrar com ela na hora que o ônibus encostar na plataforma e abrir o bagageiro.

Ou seja, cicloviajantes asssim como eu e o Marcio que além de nossas bicicletas tinhamos vários alforges presos a elas tinhamos que nos virar.

Um assistente da "Litorânea" viu minha revolta e veio conversar comigo, saiu do seu posto de trabalho e veio prestar assistência, afinal naquele momento eu estava sozinha, o Marcio tinha ficado pra trás conversando com um cara que estava encantado pelo fato de nós dois estarmos viajando de bike, mas já era tarde, eu já tinha perdido a paciência e se ficasse naquele lugar mais um minuto voava na cabeça do tiozinho.

Assim, por volta das 13hs saimos da rodoviária rumo a Ubatuba pedalando! Cá entre nós ainda bem nossa viagem realmente foi completa.

Mas antes de encarar a estrada e o sol paramos para tomar uma água de coco e que delícia de água de coco, e que vendedora simpática...uma delícia!

Partimos, o dia estava lindo típico de outono, céu azul, sol e um ventinho fresco que nos fazia esquecer que estavamos pedalando no pior horário do dia.
Fizemos o trajeto bem devagar curtindo cada km e namorando a cada parada.

Tomamos picolé de grosélia na praia de Massaguaçu.
Praia do Massaguaçu - Caraguatatuba

Na praia da Maranduba almoçamos no restaurante dos sonhos do André Pasqualine, R$9,90 á vontade com costela, nós obviamente dispensamos a costela.Divisa Caraguá - Ubatuba
Restaurante R$9,90/a vontade
Paramos na bica do Rio Escuro para encher as caramanholas e molhar a cabeça com água pura e cristalina.
Namoramos um pouquinho no mirante do Saco da Ribeira.
Saco da Ribeira

Encontramos mei irmão no morro da Enseada e o Aragonez e o Gatti em frente ao prédio do Aragonez na praia das Toninhas e depois de 3 horas de pedalada suave chegamos em casa.

A noite nos acabamos em uma cantina, hehehe,
os quatro novamente reunidos, comemos pacas, e cá entre nós todos estamos precisando e para fechar a noite nada melhor que um sorvete.

Na segunda feira curtimos a praia com o Siqueira que também estava em Ubatuba, nosso artista pintou o mundo.

Ecaaaaaaaaaaaaaaaaa!!! Mas foi ela que pediu esse desenho.





A noite começou a chover e a chuva continuou ainda na terça feira, viemos embora nesse dia no õnibus das 10hs, depois de 6 horas no busão, a chuva tirou os turistas da praia mais cedo.

Mais fotos:

Aninha Multiply I
Aninha Multiply II

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Estrada da Petrobras

Muito simples escolher um destino, convidar algumas pessoas e iniciar uma cicloviagem.

Principalmente quando outras pessoas que já fizeram o passeio afirmam que vale a pena, que o lugar é lindo, que é difícil mais vale a pena...

Realmente a opinião de todas essas pessoas está correta, realmente o lugar é lindo, vale a pena e sim, é muito difícil.

Mas o que significa muito difícil?! Quando eu ouvia as pessoas dizerem isso e depois olhava a altimetria só pensava que teriam muitas e super íngremes subidas, que só isso já deixaria uma viagem de 76 Km na terra um pouco mais cansativa.

Até então como não conhecia o caminho, estava considerando que levaríamos cerca de 8 horas para finalizá-lo.

Pelos registros que encontramos de ciclistas que fizeram em ritmo de treino o percurso foi finalizado em pouco mais de 4 horas e nós não estávamos treinando e sim passeando, ou melhor, viajando, e que viagem!!!!

Que lugar mais lindo, o tempo todo encravados no meio da mata, nem dá para acreditar que estávamos a pouco mais de 1 hora de SP.

Fomos em quatro: eu, o Márcio, o Aragonez e o Gatti e, por favor, alguém me ensina onde tira a pilha desse cara... ele não para de falar nem dormindo!!!! Estou ouvindo vozes até agora, um trauma, hehehehee...

Saímos de SP na sexta feira, a idéia era nos encontrarmos na rodoviária do Tietê às 19:30hs para pegarmos o “busão” para Jacareí às 20hs, mais um incêndio em uma favela próxima ao meu trabalho atrapalhou tudo, cheguei em casa as 19.30hs. Lá estavam o Márcio e o Aragonez me esperando, e o Gatti, coitado, lá na rodoviária...

Maior correria, deixa comida pra gata, arruma o banheirinho da gata, come alguma coisa, fecha o alforje com mais algumas coisinhas que faltavam e pronto, pedalar até a rodoviária.

Chegamos lá às 20:50hs mas o “busão” das 21hs já estava lotado, compramos bilhetes para o das 22hs e senta e espera...Chegamos em Jacareí às 23:30hs, achamos um hotelzinho na rua da rodoviária mesmo e rachamos os 4 o mesmo quarto, R$18,00/cada.

O hotel dava de 10x 0 no de Taubaté, mas o recepcionista era um saco, o cara se achava o mais legal do mundo...muuuuito chato e folgado.

Nesse momento tivemos a primeira baixa da viagem, meu Cateye sumiu, foi abduzido...deve ter caído no trajeto rodoviária – hotel, sei lá, fiquei muito triste.

omos dormir! Acordamos às 4hs, o “busão” para Salesópolis saia às 4:55hs, se perdêssemos aquele só tinha outro ás 11hs, o motorista bem doidão conseguiu assustar nós 4 que antes estávamos sentados na frente e mudamos para o meio, e o Gatti até capacete colocou, mas o cara era super legal, até cedeu seus “pinhões” quando dissemos que estávamos com fome.

Eu e o Sapo no rio que corta Salesópolis - ainda estava de noite

Chegamos a Salesópolis às 6hs, o motorista deixou a gente perto de uma padaria, tínhamos que tirar a barriga da miséria. Saímos da padaria pontualmente às 7hs o sol ainda estava nascendo e tudo indicava que o dia seria lindo.

Gatti e um local de Sale - a bike do cara tinha pneu de mobilete atrás "Pra Aguentar peso, né!?"
O Sol raiando

No começo da estrada, que doce ilusão, o chão de terra batido com algumas pedras encravadas não demonstravam a realidade que nos esperava. Como em toda cicloviagem começamos a mil por hora, parecendo um monte de crianças vendo o mar pela primeira vez, um sobe desce suave, se a estrada continuasse assim até o final chegaríamos antes do esperado. Hahahaha quanta ilusão!!!

Lá pelos 20kms a estradinha mostrou a que veio, até então ainda haviam algumas casinhas perdidas no meio do nada, alguns sítios e até moradores locais.

A partir desse ponto eram só os jipeiros e alguns folgados de moto, a primeira leva de jipeiros, 4 jipes para ser mais exata, passaram quase que por cima da gente, depois veio outro pessoal de jipe também, aí já eram uns 20 com guia e tudo, esses eram bem mais simpáticos, até ofereceram ajuda quando o pneu do Aragonez furou.

E a estrada foi mostrando pra gente qual era a dificuldade que todos diziam, agora sim eu entendi o que o Siqueira quis dizer quando me respondeu: “Eu não cometo esse suicídio de novo nem fod...”

O trajeto é realmente difícil, muita subida, mas se o problema fosse apenas ter muita subida estava fácil, o problema maior é o piso, não é só terra, nem só cascalho, é um misto de asfalto velho trincado com pedras enormes encravadas e outras soltas, cascalho, areia, terra seca e barro...deu pra entender? Não, né ? Só estando lá para entender.


Só sei que a gente subia, subia, subia e subia e quando chegava lá em cima tinha a ilusão que descansaria na descida, mas nem sonhando...as descidas eram super técnicas, precisava no mínimo conhecer muito bem a bicicleta para estar nelas.


Todo este misto de terreno existente nas subidas existiam também nas descidas, descer só freado era igual a perder o freio, descer soltando tudo era praticamente um suicídio, uma adrenalina do cacete!!! Sei apenas que algumas descidas cansavam mais que muitas subidas, como a descidona de 11km, isso mesmo tinha uma descida com 11km de extensão...IRADO!!!!

E assim fomos seguindo, subindo, descendo, subindo mais um pouco descendo mais um tanto...e o dia correndo, e que dia!!! Céu azul, sem nenhuma nuvem, parecia esperar por nós.

Eu e o Marcio estávamos preparados para qualquer eventualidade, inclusive para a possibilidade de dormirmos lá, tínhamos levado barraca, sleeping bag, lanternas, comida, remédios, lembrando que havíamos levado comida para 2 pessoas e quando fizemos nossa 1° parada para lanche descobrimos que os nossos acompanhantes não tinham nada!

Para não ser tão maldosa, o Gatti havia levado um saco de granola e um potinho de mel, e eu te pergunto isso dá para sustentar um homem daquele tamanho?! Ou seja, nossos planos de dormir no mato tinham ido por água abaixo, então seguimos...

Sobe mais um pouco desce outro tanto, sobe tudo o que descemos e desce tudo de novo e mais um pouco e eu surtei! Já eram 17hs e ainda tínhamos mais algumas subidas pela frente, olhei pro Márcio e disse:

“Se tiver mais uma subida eu paro!”

Nunca torci tanto para um mapa estar errado, ou para os meninos terem perdido as contas das subidas e não ter mais nenhuma a frente, é sonhar não custa nada, mas o mapa estava certo e tinha mais 2 subidas à frente, nesse ponto nos despedimos dos meninos, eu e o Marcio vimos duas casinhas no caminho e decidimos ir até lá pedir para montar nossa barraca na grama os meninos que nem comida tinham resolveram seguir, já estávamos bem perto de Caraguá e eles seguiram.

O Marcio foi até uma das casinhas e ela estava abandonada, na outra um moço atendeu e depois de muito olhar e examinar disse que a gente podia acampar sim, mas o Márcio não foi com a cara do cara e disse que não queria ficar lá, decidimos então seguir e procurar outro lugar plano para acampar.

Eu só queria saber onde é que tinha outro lugar que desse para acampar, a noite caiu e não enxergávamos mais nada, um breu, agora sim é que não encontraríamos lugar para pernoitar.

Um morador local

De repente o Márcio olha pra trás para falar comigo e de relance olha o matagal ao meu lado e diz:

“Ali não é um cara de boné, é?!”

Pronto! Fod@%#¨%$!$!!!!

Naquela hora todo o meu cansaço foi pro espaço, não tinha homem nenhum no mato, mais quando ele me disse aquilo na hora me veio a imagem do cara da casinha...vai que o cara tava seguindo a gente...que medo!!!!!!!!!!


Finalizamos a estrada, chegamos em Caraguá às 19:30hs, descemos os 4 últimos km da serra empurrando as bikes, pois as luzinhas dos capacetes não davam conta de iluminar o breu e descer freando ferveu meu disco.

Bem lá no fundo é o mar, ao vivo da para enxergar melhor

A cada curva tem uma cachoeira, uma bica, um rio...água pra todo lado

Assumo que olhando essa fotos tudo parece bem ligth, mas é que na parte mais difícil não tinhamos mais saco mesmo para fotografar, hehehe

Encontramos os meninos em uma pizzaria, de lá eles desistiram do restante do percurso (Caraguá x Ubatuba) e pegaram um busão para Ubatuba, além do pneu furado o Aragonez descobriu que havia entortado a roda e estourado um raio.

Eu e o Márcio ficamos em uma pousadinha propícia para massa crítica, cabiam 10 pessoas.

O 2° dia de cicloviagem conto no próximo post.

Mais relatos e fotos:

Falansterios
Falansterios Multiply

Aninha Multiply

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Porque tudo sempre tem um início...


Eu tinha exatamente 2 anos quando essa foto foi tirada.

Nem me lembrava desse tico - tico, segundo meu pai quando eu o ganhei chorei feito uma louca pois queria uma "bitiqueta codilosa", traduzindo: bicicleta cor de rosa.

Um ano depois meu pai me comprou a tal
"bitiqueta codilosa" pena que eu não achei nenhuma foto.