sexta-feira, 24 de abril de 2009

Estrada da Petrobras

Muito simples escolher um destino, convidar algumas pessoas e iniciar uma cicloviagem.

Principalmente quando outras pessoas que já fizeram o passeio afirmam que vale a pena, que o lugar é lindo, que é difícil mais vale a pena...

Realmente a opinião de todas essas pessoas está correta, realmente o lugar é lindo, vale a pena e sim, é muito difícil.

Mas o que significa muito difícil?! Quando eu ouvia as pessoas dizerem isso e depois olhava a altimetria só pensava que teriam muitas e super íngremes subidas, que só isso já deixaria uma viagem de 76 Km na terra um pouco mais cansativa.

Até então como não conhecia o caminho, estava considerando que levaríamos cerca de 8 horas para finalizá-lo.

Pelos registros que encontramos de ciclistas que fizeram em ritmo de treino o percurso foi finalizado em pouco mais de 4 horas e nós não estávamos treinando e sim passeando, ou melhor, viajando, e que viagem!!!!

Que lugar mais lindo, o tempo todo encravados no meio da mata, nem dá para acreditar que estávamos a pouco mais de 1 hora de SP.

Fomos em quatro: eu, o Márcio, o Aragonez e o Gatti e, por favor, alguém me ensina onde tira a pilha desse cara... ele não para de falar nem dormindo!!!! Estou ouvindo vozes até agora, um trauma, hehehehee...

Saímos de SP na sexta feira, a idéia era nos encontrarmos na rodoviária do Tietê às 19:30hs para pegarmos o “busão” para Jacareí às 20hs, mais um incêndio em uma favela próxima ao meu trabalho atrapalhou tudo, cheguei em casa as 19.30hs. Lá estavam o Márcio e o Aragonez me esperando, e o Gatti, coitado, lá na rodoviária...

Maior correria, deixa comida pra gata, arruma o banheirinho da gata, come alguma coisa, fecha o alforje com mais algumas coisinhas que faltavam e pronto, pedalar até a rodoviária.

Chegamos lá às 20:50hs mas o “busão” das 21hs já estava lotado, compramos bilhetes para o das 22hs e senta e espera...Chegamos em Jacareí às 23:30hs, achamos um hotelzinho na rua da rodoviária mesmo e rachamos os 4 o mesmo quarto, R$18,00/cada.

O hotel dava de 10x 0 no de Taubaté, mas o recepcionista era um saco, o cara se achava o mais legal do mundo...muuuuito chato e folgado.

Nesse momento tivemos a primeira baixa da viagem, meu Cateye sumiu, foi abduzido...deve ter caído no trajeto rodoviária – hotel, sei lá, fiquei muito triste.

omos dormir! Acordamos às 4hs, o “busão” para Salesópolis saia às 4:55hs, se perdêssemos aquele só tinha outro ás 11hs, o motorista bem doidão conseguiu assustar nós 4 que antes estávamos sentados na frente e mudamos para o meio, e o Gatti até capacete colocou, mas o cara era super legal, até cedeu seus “pinhões” quando dissemos que estávamos com fome.

Eu e o Sapo no rio que corta Salesópolis - ainda estava de noite

Chegamos a Salesópolis às 6hs, o motorista deixou a gente perto de uma padaria, tínhamos que tirar a barriga da miséria. Saímos da padaria pontualmente às 7hs o sol ainda estava nascendo e tudo indicava que o dia seria lindo.

Gatti e um local de Sale - a bike do cara tinha pneu de mobilete atrás "Pra Aguentar peso, né!?"
O Sol raiando

No começo da estrada, que doce ilusão, o chão de terra batido com algumas pedras encravadas não demonstravam a realidade que nos esperava. Como em toda cicloviagem começamos a mil por hora, parecendo um monte de crianças vendo o mar pela primeira vez, um sobe desce suave, se a estrada continuasse assim até o final chegaríamos antes do esperado. Hahahaha quanta ilusão!!!

Lá pelos 20kms a estradinha mostrou a que veio, até então ainda haviam algumas casinhas perdidas no meio do nada, alguns sítios e até moradores locais.

A partir desse ponto eram só os jipeiros e alguns folgados de moto, a primeira leva de jipeiros, 4 jipes para ser mais exata, passaram quase que por cima da gente, depois veio outro pessoal de jipe também, aí já eram uns 20 com guia e tudo, esses eram bem mais simpáticos, até ofereceram ajuda quando o pneu do Aragonez furou.

E a estrada foi mostrando pra gente qual era a dificuldade que todos diziam, agora sim eu entendi o que o Siqueira quis dizer quando me respondeu: “Eu não cometo esse suicídio de novo nem fod...”

O trajeto é realmente difícil, muita subida, mas se o problema fosse apenas ter muita subida estava fácil, o problema maior é o piso, não é só terra, nem só cascalho, é um misto de asfalto velho trincado com pedras enormes encravadas e outras soltas, cascalho, areia, terra seca e barro...deu pra entender? Não, né ? Só estando lá para entender.


Só sei que a gente subia, subia, subia e subia e quando chegava lá em cima tinha a ilusão que descansaria na descida, mas nem sonhando...as descidas eram super técnicas, precisava no mínimo conhecer muito bem a bicicleta para estar nelas.


Todo este misto de terreno existente nas subidas existiam também nas descidas, descer só freado era igual a perder o freio, descer soltando tudo era praticamente um suicídio, uma adrenalina do cacete!!! Sei apenas que algumas descidas cansavam mais que muitas subidas, como a descidona de 11km, isso mesmo tinha uma descida com 11km de extensão...IRADO!!!!

E assim fomos seguindo, subindo, descendo, subindo mais um pouco descendo mais um tanto...e o dia correndo, e que dia!!! Céu azul, sem nenhuma nuvem, parecia esperar por nós.

Eu e o Marcio estávamos preparados para qualquer eventualidade, inclusive para a possibilidade de dormirmos lá, tínhamos levado barraca, sleeping bag, lanternas, comida, remédios, lembrando que havíamos levado comida para 2 pessoas e quando fizemos nossa 1° parada para lanche descobrimos que os nossos acompanhantes não tinham nada!

Para não ser tão maldosa, o Gatti havia levado um saco de granola e um potinho de mel, e eu te pergunto isso dá para sustentar um homem daquele tamanho?! Ou seja, nossos planos de dormir no mato tinham ido por água abaixo, então seguimos...

Sobe mais um pouco desce outro tanto, sobe tudo o que descemos e desce tudo de novo e mais um pouco e eu surtei! Já eram 17hs e ainda tínhamos mais algumas subidas pela frente, olhei pro Márcio e disse:

“Se tiver mais uma subida eu paro!”

Nunca torci tanto para um mapa estar errado, ou para os meninos terem perdido as contas das subidas e não ter mais nenhuma a frente, é sonhar não custa nada, mas o mapa estava certo e tinha mais 2 subidas à frente, nesse ponto nos despedimos dos meninos, eu e o Marcio vimos duas casinhas no caminho e decidimos ir até lá pedir para montar nossa barraca na grama os meninos que nem comida tinham resolveram seguir, já estávamos bem perto de Caraguá e eles seguiram.

O Marcio foi até uma das casinhas e ela estava abandonada, na outra um moço atendeu e depois de muito olhar e examinar disse que a gente podia acampar sim, mas o Márcio não foi com a cara do cara e disse que não queria ficar lá, decidimos então seguir e procurar outro lugar plano para acampar.

Eu só queria saber onde é que tinha outro lugar que desse para acampar, a noite caiu e não enxergávamos mais nada, um breu, agora sim é que não encontraríamos lugar para pernoitar.

Um morador local

De repente o Márcio olha pra trás para falar comigo e de relance olha o matagal ao meu lado e diz:

“Ali não é um cara de boné, é?!”

Pronto! Fod@%#¨%$!$!!!!

Naquela hora todo o meu cansaço foi pro espaço, não tinha homem nenhum no mato, mais quando ele me disse aquilo na hora me veio a imagem do cara da casinha...vai que o cara tava seguindo a gente...que medo!!!!!!!!!!


Finalizamos a estrada, chegamos em Caraguá às 19:30hs, descemos os 4 últimos km da serra empurrando as bikes, pois as luzinhas dos capacetes não davam conta de iluminar o breu e descer freando ferveu meu disco.

Bem lá no fundo é o mar, ao vivo da para enxergar melhor

A cada curva tem uma cachoeira, uma bica, um rio...água pra todo lado

Assumo que olhando essa fotos tudo parece bem ligth, mas é que na parte mais difícil não tinhamos mais saco mesmo para fotografar, hehehe

Encontramos os meninos em uma pizzaria, de lá eles desistiram do restante do percurso (Caraguá x Ubatuba) e pegaram um busão para Ubatuba, além do pneu furado o Aragonez descobriu que havia entortado a roda e estourado um raio.

Eu e o Márcio ficamos em uma pousadinha propícia para massa crítica, cabiam 10 pessoas.

O 2° dia de cicloviagem conto no próximo post.

Mais relatos e fotos:

Falansterios
Falansterios Multiply

Aninha Multiply

11 comentários:

marciocampos disse...

Bom, já que ela não disse, eu entrego, hahaha, na descida da serra a noite, pedi para apagarmos as duas lanternas e sem luar, sem estrelas, nubladão, virou breu, ela quase chorou de medo, implorou para acender as luzes...hahaha...

Mas foi uma aventura sem tamanho, um "silêncio enorme", barulho só do cascalho, das aves, da água escorrendo nas nascentes e riachos e nossas vozes e risadas. O céu era de pintura, nenhuma nuvem de lado a lado, e aquele cheiro de mato molhado, os corredores de árvores, e numa curva aparecia um mirante para a serra toda, só indo lá.

Eu me acabei, e até teria pernoitado no mato só pra ver o sol nascer na serra no domingo. Deus tava lá, eu vi, escutei, senti.


Márcio Campos

Mig disse...

Oi Aninha,
Nossa viagem (Leandro, Canna, JuM e eu de bike + Jeanne de carona) para Piracaia e Joanópolis também foi muito boa, e provavelmente menos cansativa. Você e o Marcio estão convidados para as próximas, que espero que se tornem frequentes.

Pena que nenhum dos participantes tenha blog para fazer um relato tão legal como o seu.

Para completá-lo, deixe aí a dica com os nomes das pousadas em que vocês ficaram. Pode ser útil para alguém que resolva fazer essa viagem.

Mig disse...

Ah, estou ansioso pelo relato da segunda parte...

Vinicius disse...

Estou querendo muito fazer essa trilha... só que preciso me planejar bem.

Você chegou a conferir se tinha sinal de celular em algum trecho do caminho? Ou só mesmo em Salesópolis e próximo de Caraguá?

Quando conseguir eu te aviso!

Beijo,

Vinicius

marciocampos disse...

Oi Vinícius, lá é sem sinal mesmo, nem de fumaça, porque seria risco à natureza, rs. Recomendo que saibam para onde você foi, previsão de contato e chegada, coisas assim.

Mas como a trilha é muito frequentada por jipeiros e motociclistas nos finais de semana, dá para conseguir ajuda se acontecer alguma coisa.

Fabiano disse...

Muito legal o relato, Aninha!

Fourier disse...

Valeu pela companhia brother!

Show de viagem! Achei fácil, só demorei porque tinha que esperar a madame!! hahahaha. Zoeira!

Ficou com medo do escuro? hahaha

Mig,
O hotel em Jacareí fica na rua da rodoviária, 100 metros.

Em Caraguatatuba ficaram no hotel Perón, na estrada mesmo, 1km de distância da rodoviária!

Silvio Tambara disse...

Medinho de escuro???? Que vergonha!!!! hehehehehe.Muito legal, que viagem bacana.

Aninha disse...

Eba! Quantos comentários e quantas perguntas, vamos lá:
- Mig: o Aragonez já te respondeu, mas o hotel que ficamos em Caraguá é o Pron II R$20,00/pessoa.
- Aragonez, não enche!!!
- Vinicius: a estrada é linda, e não tem sinal de celular em lugar algum, só em Sale e em Caraguá, eu recomendo fazer em 2 dias dormindo ou na ponte ou na estaçaõ de transição (acampando) assim da para curtir muito mais tudo o que o caminho tem a oferecer.
- Silvio: eu não tenho meddo de escuro não o Márcio é que tem!!! Apaguei a luz e ele quase se borrou, hehehehe
- Fabiano: que bom te ver de novo por aqui.

Bjs a todos!

Renato disse...

Gostei do método para fazer alguém pedalar na marra! Tá aprovado.

Belo relato, parabéns para vocês dois.

Bruna Tri disse...

Oi Aninha, adorei a história... Quase viajei junto com vocês através das fotos. Mas é claro, sem a parte do cansaço e da escuridão, hehehe.
Beijo.