quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Caminho dos Anjos

Neste carnaval eu a Nani e o Aragon, para variar um pouco queríamos pedalar, nada muito punk apenas um lugar com uma vista bonita, cachoeiras e muito verde...

Eu - Foto Nani

Nani - Foto Aragonez

Aragonez - Foto Nani

Assim, resolvemos conhecer um caminho novo de peregrinação chamado Caminho dos Anjos, na verdade novo para cicloturistas pois para peregrinos já existe há algum tempo.



O trajeto era convidativo, 113Km de terra, no sul de Minas passando por 5 pontos, tranqüilo né!? Nem tanto...mas a vista compensa tudo!!!!


Saímos de SP na sexta-feira rumo a Caxambu no ônibus das 15hs, chegamos a 00hs e de lá pedalamos 4km até Baependi, em Baependi ficamos alojados no Abrigo dos Anjos, local muito agradável e ponto de partida da ciclorota.

Foto Aninha

Logo na rodoviária nos juntamos a mais 2 cicloturistas que também fariam o percurso, o Marcelo do site Onde Pedalar e a Sandra de Curitiba, uma figurassa!!!

Marcelo - Foto Nani

Sandra - Foto Nani

No abrigo do primeiro dia ainda nos juntamos a Cris, cicloturista paulista que adora cicloviajar e assim o grupo estava formado minha 1° cicloviagem com mais mulheres que homens, é engraçado conversar sobre unha, cabelo e celulite em uma cicloviagem...

Cris - Foto Nani

Dia 1 – Baependi x Sítio 3 Pinheiros

Extensão: 38km

Altitude Inicial: 915m

Altitude Final: 1259m

Altitude Máxima Atingida: 1401m

Altitude Mínima Atingida: 879m

Esse trecho em minha opinião, é sem dúvida o mais bonito, o sobe e desce das montanhas repletas de verde, rios, fazendas e animais da “roça” fazem todo o charme do lugar.

Fotos Nani

Engana-se quem pensa que os poucos 38km são fáceis, as várias subidas com cascalho solto e decidas de mesmo modo, assim como os pontos espetaculares para se fazer fotos e admirar a paisagem faz com que o trajeto dure o dia todo.

Foto Aninha

No nosso caso avançou a noite...saímos às 9hs de Baependi e só chegamos ao Sítio 3 Pinheiros às 21hs, no breu, sem luz suficiente e com apenas pasto ao nosso lado, não posso negar que foi fantástico! Pedalar apenas com as estrelas no céu e os diversos sons do mato não tem comparação, é bom demais.

Foto Nani

Lógico que todo esse atraso foi culpa nossa, paramos muito, curtimos cada metro da viagem, e quando paramos para almoçar na Espraiada do Gamarra fizemos uma parada de 3 horas para esperar o sol dar uma trégua.

Foto Aninha

E o que é aquele Gamarra?!?!?!?! Um rio maravilhoso que nos acompanha em alguns trechos, e se engana quem pensa que em Minas não tem praia, a Espraiada do Gamarra é uma típica praia mineira, onde o rio forma uma espécie de lagoa e todos da região se deliciam com suas águas congelantes, só consegui mergulhar pois escorreguei em uma pedra e foi um tibum típico.

Foto Nani

Lá na Espraiada almoçamos no Bar do Nadinho, um delicioso “PF” de deixar qualquer um de molho por horas...

Foto Nani - reparem no papagaio de pirata lá no fundão!!!

Mas nada se compara a melhor refeição que fizemos em toda a viagem, lá no Sítio 3 Pinheiros (outro abrigo cadastrado da operadora do caminho) o Juninho nos mostrou seu verdadeiro dote culinário, acompanhado por uma trilha sonora fantástica e uma hospitalidade sem igual!!

Sítio 3 Pinheiros - Foto Aninha

Dia 2 – Sítio 3 Pinheiros x Vale do Matutu, passando por Aiuruoca.

Extensão: 38,2km

Altitude Inicial: 1259m

Altitude Final: 1300m

Altitude Máxima Atingida: 1406m

Altitude Mínima Atingida: 982m

Assim como os outros 2 trechos esse também é maravilhoso, a cachoeira da laje logo no início do trajeto é um convite aos mais calorentos e aqueles que curtem uma bela vista, entre sobes e descem com paisagens cada vez mais surpreendentes chegamos a Aiuruoca, uma cidadezinha linda com uma igreja central maravilhosa.

Cachoeira da laje - Foto Aninha

Fizemos uma parada para o almoço ainda lá centro (sugestão da administradora do caminho) mas logo depois que retomamos a estrada encontramos dois oásis no caminho, o restaurante do Kiko e Kika com uma pela grama convidativa a uma “ciesta” e o Pocinho, que como o nome diz é um poço formado pelo rio que conta com um restaurante, a entrada é paga R$5,00, mas vale a pena é uma outra praia mineira que todos de deliciam.

Pocinho - Foto Aninha

Eu, o Aragon e a Nani não entramos, só admiramos por fora, pois um pouco antes de chegarmos vimos uma quedinha de água na encosta e nos refrescamos lá, foi muito engraçado, pois era um lugar com um monte de arame farpado e sem estrutura nenhuma...

Depois que estávamos nos deliciando no lugar reparamos várias pessoas passando de carro ou a pé e nos olhando como extraterrestres, muitos até riam, só fomos entender o porquê menos de 1km depois, o lugar de banho era outro e não aquele que estávamos.

Foto Nani

Na eterna subida que leva ao Vale do Matutu encontramos dois garotinhos de bike se deliciando em uma espécie de platô que forma no meio da subida...quando eu estava terminando a subida até esse primeiro platô um dos meninos que estava com uma bike aro 18 (acho) sem freio e de chinelos começou a descer desgovernadamente à rampa, eu sem pensar duas vezes larguei a “rosinha” de qualquer jeito e sai correndo ladeira abaixo e de sapatilha atrás do menino, resgatei e depois dei-lhe aquela bronca fenomenal, o muleke tava branco de susto e depois ficou transparente de vergonha, quando chegamos lá em cima ele só falava, “a moça salvou minha vida”, hehehehe

Foto Aninha

O Vale do Matutu é lindoooooooooooooo!!!!!!!!!!!! Um visual incrível e um silêncio convidativo a uma bela noite de sono, se não fosse aquele galo maldito que começou a cacarejar as 4.30hs da manhã, se ficasse lá mais um dia com certeza faria canja dele!

Casarão do vale do Matutu - Foto Nani

Em Matutu comemos o melhor café da manhã da viagem, com um excepcional pão integral caseiro e o melhor bolo de milho que já comi na vida! Valeu Iraci e o filho da Iraci por esse manjar matinal!

Vale do Matutu - Foto Aninha

Saímos do Sítio 3 Pinheiros ás 8hs e chegamos ao Vale do Matutu, após as devidas paradas para descanso e fotografias por volta das 17hs

Dia 3 – Vale do Matutu x Alagoa

Extensão: 23km

Altitude Inicial: 1259m

Altitude Final: 1117m

Altitude Máxima Atingida: 1423m

Altitude Mínima Atingida: 1079m

Esse é o trecho mais fácil do trajeto, apesar da single-track de boas vindas ao ultimo trecho, uma single-track com uma inclinação cabulosa que recorta o morro do Vale do Matutu, empurrando a bike mais uma vez era um passo pra frente e dois passos pra trás,e uma vontade louca de largar a bike e chamar minha mãe! Hehehehe

Fotos Nani

Fotos Aragonez

Lá embaixo, em uma região chamada Nogueira, conhecemos o Jürgen, um senhor cicloturista que estava fazendo o trajeto com uma outra turma, nesse momento ele estava sozinho, pois não quis encarar a subida do Vale do Matutu, como ele mesmo disse : “Conheço meus limites”.


Jürgen - Fotos Nani

Uma figura especialíssima e gente boa que só mês fez sentir mais vontade ainda de continuar pedalando mundo a fora.

Fotos Aragonez

Chegamos em Alagoa por volta do meio-dia, passamos em um trecho da Estrada Real, Alagoa é uma cidadezinha linda parece de brinquedo de tão pequena.

Fotos Aninha

Lá conhecemos o Felipe nosso anjo da guarda mineiro, ele nos levou até São Lourenço onde pegarmos o ônibus de volta para São Paulo, e ficou lá nos fazendo companhia um tempo, serviu de guia turístico no trecho que nos acompanho, e vez um trajeto com muita emoção para mim e para Nani que estávamos na caçamba da saveiro chacoalhando na buraqueira e sendo jogadas de lado a lado nas curvas...uma loucura!!!

Fotos Aninha

Saímos de São Lourenço às 1h e chegamos em São Paulo às 5.30hs, Alagoa não tem ônibus direto para São Paulo, e os ônibus da região fazem pinga-pinga em todas as cidades, então é bem difícil conseguir passagens, o melhor é sair de São Paulo já com as passagens de volta compradas para não se preocupar com isso como nós que quase não conseguimos voltar para São Paulo.

Fotos Aragonez

Essa viagem foi espetacular, a companhia da Nani e do Aragon como sempre melhores seria impossível, o que fez do carnaval o melhor carnaval da minha vida! Amo muito vocês dois!!

Fotos Nani

Conhecer figuras como a Sandra, a Cris e o Marcelo que nos acompanharam em todo o trajeto também foi muito especial.

Ver que ainda exitem pessoas com coração bom como as meninas da lan-house de Alagoa, o Felipe e o Israel que nos deram a maior força no retorno me fez re-acreditar que existe sim gente muito boa nesse mundão afora. E que mundão lindo!!!!

Fotos Aninha

O Caminho dos Anjos é maravilhoso e vale muito a pena ser conhecido, mas é bom lembrar que tem muitas subidas e que tudo é praticamente terra com muita pedra solta, fora que tem muito “mata burro” e alguns pasmem na vertical, para não tremer o carro, pode uma coisa dessas?!

Fotos Aninha

Como disse a Sandra em um trecho da viagem:

“Cara, tu sobe, sobe, sobe e não para de subir...nunca estive tão por cima na minha vida”

Fotos Nani

Muitos mais fotos e relatos:

Aninha Multiply

Falansterios

Nani

Onde Pedalar

Mais Informações:

Caminho dos Anjos

Bem Vindo Cicloturista

14 comentários:

JP Amaral disse...

Cicloturismo é incrível!!! Vocês lá e a gente cá, curtindo as paisagens maravilhosas. Vamos ver se na próxima vai todo mundo junto!
Beijos!!!

JP

Evelyn Araripe disse...

Ei Aninha,
Aposto que vocês nem iam achar ruim se perdessem o ônibus para São Paulo, hein?!!! Que lugar lindo!!!
Mais um para a lista de lugares para se conhecer de bicicleta.

Vale pela dica. As fotos e o relato estão maravilhosos!

Beijos da EvelynA

Nani disse...

Aninha adorei seu relato, e juntamente as fotos, ficou perfeito!
Próxima??? Bóra!

Qualquer paixão nos diverte!!!

Fourier disse...

Obrigado pela companhia, pela risadas, pelas pedaladas.

Foi muito bom viajar com você e com a Nani.

E faço a mesma pergunta da Nani, próxima??? hehehe.

Belas fotos de todos.

Bjs,

( Zi ) José Luiz Nammur Filho disse...

Incrível Ana, lamento não ter podido ir... Mas como já te disse por email, bora descer a serra no sábado!!!!!
Muito legal seu blog!

bjo

marciocampos disse...

Lugar fantástico, um téco da Estrada Real, que ainda vou fazer, vou sim.

Deu saudade

beijos

Márcio

Anônimo disse...

Que maravilha essa viajem Aninha adorei as fotos, queria ver a cara do menino tomando bronca haha mas você salvou ele né...(sei)
em casa a gente não conhece ninguém, tem que sair que o pessoal aparece no caminho...

parei pra pensar, que idiota eu fui quando pensava que mineiro tinha inveja dos paulistas ou cariocas por causa da falta de praia..

bjos,

Juliano

Ronaldo disse...

Oi Ana,
muito bacana esse relato sobre o Caminho dos Anjos. Ainda não conhecia seu blog, mas ja tinha visto uma matéria que vc havia participado na revista A+.
Gostaria de parabenizar também a sua amiga que percorreu o C.A. com uma bike simples sem suspensão. Não deve ter sido fácil. Parabéns! e ótimas pedaladas.

maocastro disse...

Parabens pela viagem.
Certamente incluirei este percurso em meus trajetos futuros.

A sandra é uma figura ímpar, morde, mas também alisa. É parceira certa pra pedal e mais ainda pra buteco.

Abraços
Marcelo
Maringá-PR

Anônimo disse...

Sensacional o lugar, muito bonito mesmo.
Nunca fiz nenhuma viagem dessa, morro de vontade...qual é a bike que vocês usam?, de alumínio?,será que dá para ir com uma bike de lazer -caloi snake de alumínio de 21V- etc.
Parabéns pelo blog, acompanho sempre.

Aninha disse...

Obrigada por visitar meu Blog..quanto a bike, sim de alumínio o ideal é que faça o trajeto com uma bike que possua suspensão, mas a Nani que fez conosco não tinha suspensão e aguentou bem o tranco...dependendo de quanto tempo vc pedala e quanto tempo aguenta ficar pedalando dá sim para fazer com uma caloi snake.
bjs

Aninha

Anônimo disse...

Aninha,

Muito obrigado pelas informações sobre a bike. Gosto muito de acompanhar seu Blog, é inteligente e de bom gosto com fotos lindas.

Parabéns!

nelson

guiatem disse...

Isso não é um mata-burro, é um mata-bike... Melhor não dar a idéia pro Kassab hahaha. Bj Gui

Lara V disse...

Ana, parabéns! Pretendo fazer este passeio em dezembro... vamos vr se consigo subir tanto...que tipo de alforge vocês utilizaram?

Obrigada/Lara